Resumo
A JGP dedica sua carta de janeiro de 2026 ao tema da alocação de capital como principal fator microeconômico de geração de valor, analisando os ciclos de ROIC de 83 empresas domésticas não financeiras nos últimos 15 anos e concluindo que o período 2021–2023 registrou retornos operacionais comparáveis aos da recessão de 2015–2016, apesar do crescimento econômico robusto. A gestora apresenta um "Índice de Disciplina" construído via NLP a partir de mais de 50 mil páginas de conference calls, que aponta reversão do discurso corporativo em direção a maior conservadorismo após a euforia pós-pandemia. Como pano de fundo para 2026, a JGP observa valuations menos descontados do que no início de 2025, ciclo operacional em recuperação e ambiente eleitoral como principal fonte de incerteza, mantendo concentração em utilities e setor financeiro.
Conteúdo
Conceitos extraídos
Cada conceito vem com a frase de evidência verbatim. Quando vários conceitos saem do mesmo trecho, agrupamos pela frase.
“Hoje vemos a Vibra mais focada no seu negócio principal, revisando seu portfólio e se desfazendo das participações na Zeg e na Evolua. Em paralelo, já manifestou publicamente que a venda da Comerc é uma possibilidade. Somando isso ao combate à ilegalidade, ao foco operacional na eficiência e na proposta de valor ao cliente, ficamos bastante mais otimistas com a trajetória futura da companhia.”
Mantem visao mais otimista com Vibra diante do maior foco no core business, desinvestimentos em Zeg e Evolua, possivel venda da Comerc e combate a ilegalidade.
“Naquele momento, víamos um viés claro da gestão em focar no core business, um cenário de mercado favorável para geradores térmicos (necessários para regular uma matriz que crescera muito nos últimos anos em cima de recursos intermitentes), além de uma assimetria de preço bastante favorável. Entendíamos ali que os leilões de capacidade seriam uma constante no setor elétrico e a Eneva estava numa posição muito privilegiada para capturar esse crescimento.”
Mantém Eneva como posição relevante, vendo foco no core business, cenário favorável a térmicas e leilões de capacidade recorrentes que beneficiam a companhia.
“O Itaú é um exemplo claro de instituição em que a disciplina na alocação de capital é, há muitos anos, uma característica central da cultura, perceptível na interação com executivos e controladores. Mais do que um atributo isolado, essa disciplina se materializa no foco permanente em mensurar retornos para diversos segmentos e verticais, na exigência rigorosa de prêmios de risco e na disposição de devolver capital ao acionista sempre que não identifica oportunidades atrativas de reinvestimento ajustadas ao risco.”
Vê o Itaú como exemplo de disciplina na alocação de capital, com foco em retornos, prêmios de risco e devolução de capital quando faltam oportunidades.
“O Itaú é um exemplo claro de instituição em que a disciplina na alocação de capital é, há muitos anos, uma característica central da cultura, perceptível na interação com executivos e controladores.”
Vê o Itaú como exemplo de banco com disciplina enraizada na alocação de capital, atributo cultural central que sustenta sua geração de valor de longo prazo.
“Nos últimos dez anos, a Equatorial ingressou no segmento de transmissão em um momento em que poucos investidores estavam dispostos a alocar capital no setor — ativos posteriormente desinvestidos em 2025 com um MOIC de 8x. Adicionalmente, adquiriu outras cinco distribuidoras de energia com retornos bastante elevados e entrou no setor de saneamento por meio do investimento na Sabesp, que vem se mostrando altamente acertado.”
Vê a Equatorial como caso de alocação de capital disciplinada, destacando saída da transmissão com MOIC de 8x, aquisições de distribuidoras e acerto em Sabesp.
“Tendo nosso Fundo Long Only como referência, começamos o ano ainda bastante concentrados em utilities (35%) e no setor financeiro (31%), mas com uma alocação em Brasil abaixo da média de 2025 – fruto dos menores retornos esperados e de um cenário mais incerto.”
Mantém forte concentração em utilities (35%) no início de 2026, embora com alocação em Brasil abaixo da média de 2025 diante de cenário mais incerto.
“A partir desse processo, a Stone passou a se destacar como um exemplo de disciplina e foco em alocação de capital. Em sua carta de 2023, Zinner destacou: "One prominent issue is that the ambition to chase multiple initiatives diluted our efforts and potentially our impact. (...) I felt that it was crucial to instill a 'less is more' mentality throughout the organization."”
Vê a Stone como exemplo de disciplina e foco em alocação de capital após reestruturação sob novo CEO, com forte retorno de capital aos acionistas.
“O ano de 2026 começa muito diferente do anterior em praticamente todos os aspectos. Ainda que os valuations não possam ser considerados elevados, o P/E das empresas domésticas migrou de aproximadamente dois desvios-padrão abaixo da média histórica para cerca de meio desvio abaixo.”
Vê valuations das empresas domésticas do Ibovespa menos descontados, com P/E migrando de dois desvios-padrão para meio desvio abaixo da média histórica.
“Isso implica que uma relevante valorização adicional da bolsa dependeria de um fechamento das NTN-Bs — movimento que, na prática, praticamente não se materializou em 2025.”
Avalia que valorização adicional relevante da bolsa depende do fechamento das NTN-Bs, movimento que praticamente não se materializou em 2025.
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